A Romênia comemora o Halloween? A história da Transilvânia
A Transilvânia nem sempre foi um destino de Halloween. Descubra como a história romena, a ficção de vampiros e o turismo a transformaram na "terra do Drácula".
A cada Halloween, viajantes do mundo todo vão à Transilvânia em busca de castelos assombrados, lendas de vampiros e histórias ligadas ao Drácula. Mas há um detalhe: o Halloween não é uma data comemorativa tradicional na Romênia.
Como a Transilvânia se tornou um dos destinos misteriosos mais famosos do mundo?
A resposta envolve uma sequência de eventos curiosos. Tudo começou com um príncipe do século XV, passou por um romance vitoriano sobre vampiros e culminou em um castelo medieval transformado em atração turística.
Continue lendo para conhecer a linha do tempo que transformou a Transilvânia em um grande polo de turismo de Halloween.
| Ano | Momento histórico | O que acrescentou à lenda |
| Século XV | Vlad III governa a Valáquia | O nome “Drácula” |
| 1885 | Ensaio de Emily Gerard sobre superstições da Transilvânia | O folclore dos vampiros |
| 1890 | Bram Stoker visita Whitby | A ideia e o nome do personagem |
| 1897 | Lançamento do livro Drácula | A Transilvânia como cenário |
| 1931 | Filme Drácula, com Bela Lugosi | A imagem clássica da capa e do castelo |
| 1972 | Lançamento do livro Em Busca de Drácula | A conexão entre Vlad e o Drácula |
| Anos 2000 em diante | O Castelo de Bran adota a lenda | O turismo focado no Halloween |
O Halloween nunca foi uma tradição romena
O Halloween não faz parte do calendário tradicional na Romênia. No entanto, o país tem outras datas espirituais dedicadas aos mortos, como o Moșii de Toamnă (Dia dos Ancestrais de Outono), celebrado em 7 de novembro.
O folclore romeno também é repleto de histórias sobrenaturais. No país, o medo de figuras como os strigoi e os moroi (considerados os verdadeiros vampiros da Romênia) perdurou por séculos nas comunidades rurais. Para se protegerem dessas criaturas, as pessoas costumavam esfregar alho nas portas e nas janelas.
As festas de Halloween que você encontra hoje na Transilvânia são bem diferentes dessas tradições. Elas são eventos modernos voltados ao turismo internacional e inspirados nas origens celtas da data, e não em costumes antigos do país.
O verdadeiro Drácula: um príncipe, um dragão e um nome
No resto do mundo, o Conde Drácula é conhecido como o vampiro vilão do romance gótico escrito por Bram Stoker em 1897.
Esse personagem fictício foi inspirado em Vlad, o Empalador (Vlad III), um príncipe do século XV famoso por seus métodos cruéis de execução.
Já o nome “Drácula” veio do pai de Vlad III, Vlad II, que pertencia à Ordem do Dragão. O pai recebera o apelido de Dracul, que significa “o Dragão”. Por isso, Vlad III passou a ser chamado de Dracula, ou seja, “filho de Dracul”.
Apesar de sua fama de cruel, Vlad III não tinha nenhuma ligação original com vampiros. Essa associação só surgiu mais tarde, quando Bram Stoker utilizou o nome do príncipe para criar seu famoso conde.
O escritor irlandês que nunca pisou na Transilvânia
Bram Stoker escreveu o livro Drácula, mas nunca visitou a Romênia.
Para criar o conde fictício, o autor irlandês se inspirou em livros, lendas e até em um período de férias em Whitby, na costa de Yorkshire, na Inglaterra. Foi lá que Stoker idealizou o cenário gótico da história, usando como referência as ruínas da abadia local e o cemitério da cidade.
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Stoker escolheu o nome “Drácula” após ler uma obra de 1820 escrita por William Wilkinson, que mencionava o apelido de Vlad, o Empalador.
Para construir a atmosfera sobrenatural da história, o autor também pesquisou o ensaio “Superstições da Transilvânia”, publicado por Emily Gerard em 1885, que descrevia crenças locais sobre vampiros e espíritos.
Curiosidade: em seus primeiros rascunhos, Stoker pretendia chamar o vilão de “Conde Wampyr” e ambientar a história na Estíria, na Áustria. Ele só decidiu mudar o nome para Drácula e o cenário para a Transilvânia mais tarde.
Como Hollywood criou o visual da Transilvânia
O romance de Bram Stoker deu início à fama sombria da Transilvânia. Em 1924, Hamilton Deane adaptou a história para o teatro. Anos depois, em 1931, o livro inspirou o primeiro filme do Drácula produzido em Hollywood, estrelado por Bela Lugosi.
Essa produção em preto e branco definiu a imagem clássica do castelo da Transilvânia e o visual marcante do vampiro: capa preta, olhar hipnótico, pele pálida e cabelo escuro penteado para trás.
Em 1958, o estúdio britânico Hammer Films lançou uma nova versão de Drácula. Esse foi o primeiro filme de vampiro em cores e introduziu elementos gráficos marcantes, como presas afiadas e sangue vivo.
Essas adaptações para o cinema tornaram a região da Transilvânia conhecida em todo o mundo por seus castelos e histórias de vampiros. Essa fama continuou crescendo nas décadas seguintes com o lançamento de novos filmes sobre o tema.
O livro de 1972 que atraiu turistas em busca do Drácula
Em 1972, os historiadores Radu Florescu e Raymond T. McNally publicaram o livro Em Busca de Drácula. A obra associou o príncipe Vlad, o Empalador, ao vampiro fictício de Bram Stoker, despertando a curiosidade de leitores ocidentais que queriam viajar à Transilvânia e conhecer o cenário da lenda.
Na Romênia da época comunista, esse interesse gerou um impasse. Muitos no país consideravam Vlad um herói nacional, e o mito do vampiro não se alinhava à imagem de um Estado socialista moderno que o governo tentava promover.
As autoridades locais hesitaram entre conter esse tipo de turismo e aproveitar a oportunidade comercial. No fim, o governo optou por divulgar os locais históricos associados a Vlad, permitindo a organização de excursões guiadas por esses locais.
Como o Castelo de Bran se tornou o “Castelo do Drácula”
Localizado no topo de uma rocha em meio a um vale nas montanhas, o Castelo de Bran parece o cenário ideal para uma história de vampiros. No entanto, a fortaleza tem pouca ou nenhuma ligação real com Vlad, o Empalador. É provável que ele tenha passado pelo desfiladeiro de Bran algumas vezes, mas não há registros de que tenha morado no local.
A construção do castelo começou após 1377, quando os moradores de Brașov receberam autorização para erguer uma estrutura defensiva, sendo concluída em 1388. Em 1920, a cidade presenteou a rainha Maria da Romênia com o castelo, que se tornou sua residência real favorita até ser confiscado pelo governo comunista em 1948.
Em 1956, o governo reabriu o espaço como museu público. O castelo foi devolvido aos herdeiros da família real em 2006 e, hoje, preserva os dois lados de sua história: o de residência real ligada ao passado da Romênia e o de um dos castelos mais misteriosos da Europa.

Dracula Land: o parque temático que não saiu do papel
No início dos anos 2000, a Romênia planejou transformar a lenda do Drácula em uma grande atração turística. O projeto previa a construção de um parque de diversões temático próximo a Sighișoara, cidade medieval considerada o local de nascimento de Vlad, o Empalador.
Anunciada em 2001, a ideia enfrentou forte oposição de ambientalistas, grupos religiosos e defensores do patrimônio histórico. A UNESCO também alertou que o parque poderia prejudicar o centro histórico de Sighișoara, classificado como Patrimônio Mundial. Com isso, o governo desistiu da localização em 2003, e a tentativa posterior de transferir o projeto para perto de Bucareste também não avançou.
O projeto da Dracula Land ilustra bem o desafio de equilibrar a exploração comercial de uma lenda mundialmente conhecida com a preservação da história real e das paisagens da Romênia.
Hoje, o país encontrou um ponto de equilíbrio. O Castelo de Bran e empresas de turismo locais aproveitam essa fama para organizar eventos especiais de Halloween na Transilvânia, com atrações no próprio castelo e em cidades como Brașov e na cidadela de Sighișoara.
Não vai conseguir ir para a Transilvânia neste Halloween? Veja onde acompanhar a lenda
Como o Halloween 2026 já está chegando, pode não dar tempo de viajar para a Transilvânia este ano. Mas você já pode começar a planejar sua viagem para a Romênia no próximo Halloween.
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- Combine este famoso destino de Halloween com uma tradição diferente, como a comemoração folclórica nórdica da Estônia em 10 de novembro.
- Já está no Reino Unido esta semana? O Whitby Goth Weekend acontece de 30 de outubro a 1 de novembro na cidade litorânea de North Yorkshire, que inspirou a história do Drácula de Bram Stoker.
- Reserve uma data na agenda para o Bram Stoker Festival em Dublin no próximo ano. A edição deste ano aconteceu de 23 a 26 de outubro, com passeios a pé, contação de histórias e desfiles inspirados no Drácula.
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